A lipoaspiração é um
procedimento cirúrgico com a finalidade de reduzir a gordura localizada e desta
forma equilibrar o contorno corporal. Para um bom resultado deste procedimento é
fundamental que no período pós operatório sejam realizadas as drenagens
linfáticas com o intuito de eliminar o líquido (linfa) que causa inchaço e
desconforto, facilitar a retração cutânea e auxiliar a remodelação do tecido
cicatricial.
Os fisioterapeutas são os
profissionais mais capacitados para o tratamento pós operatório, pois além do
conhecimento fisiológico e anatômico, sua formação permite avaliar as
necessidades do paciente e auxilia o cirurgião na complementação do tratamento
idealizado.
O ato cirúrgico promove um
desequilíbrio no fluxo de fluidos pelos tecidos do corpo, que resulta em
extravasamento de liquidos do interior das células e dificuldade de escoamento
deste excedente ate os gânglios linfáticos, causando congestão linfática dos
tecidos. A drenagem linfática tem como objetivo direcionar e distribuir este líquido
para os gânglios (que funcionam como ralos) diminuindo o inchaço da região
operada, além de ajudar na absorção de hematomas. O processo de cicatrização e
restauro dos tecidos do corpo é acelerado, a recuperação é mais curta, o
desconforto do paciente melhora e os risco de complicações diminuem.
Além disso, as regiões operadas
na lipoaspiração produzem tecido conjuntivo fibroso necessário para a aderência
da pele que, em alguns casos, é possível que apareçam algumas nodulações e
ondulações na pele chamadas de fibrose. Geralmente este processo começa a ser
notado após a primeira semana de cirurgia quando o edema começa a diminuir.
O processo de cicatrização começa
logo após a cirurgia com o depósito de tecido cicatricial visando o reparo à
agressão cirurgica. Quando as recomendações não são seguidas, por exemplo, repouso
inadequado, não utilização da cinta modeladora ou drenagem linfática inadequada,
pode ocorrer uma cicatrização irregular e o tecido apresentar uma aparência
ondulada ou com irregularidades.
A realização da drenagem
linfática associada ao ultrassom terapêutico é o tratamento operatório mais
adequado após a realização de cirurgias do contorno corporal. O tecido de
cicatrização é modelado de forma que a superfície da pele fique homogenia e
plana. O ultrassom é utilizado em uma potencia terapêutica que emite ondas
superficiais atingindo o tecido subcutâneo vibrando as moléculas e permitindo a
remodelação do tecido, ou seja “quebra dos nódulos”. Em seguida, ha uma
reorientação das fibras colágenas e maturação do tecido cicatricial, ou seja,
resulta em uma cicatrização orientada e controlada.
A ação do ultrassom e drenagem
linfática na fibrose tardia (3 meses da cirurgia) tem efeito limitado. O tecido
cicatricial já está estável e as irregularidades só podem ser amenizadas com
resultados finais nem sempre satisfatórios.
Não se esqueçam, a cirurgia é uma
parte do tratamento!! Um pós operatório feito de forma adequado e profissional
capacitado, é tão importante quanto o procedimento cirurgico feito por um
medico especializado.
Mariana Meira Faes
Fisioterapeuta
Mestre pela Faculdade de Medicina da
USP - FMUSP;
Pós graduada em fisioterapia
cardiorespiratoria pelo hospital do câncer A.C. Camargo/SP
Pós Graduada em fisioterapia dermato
funcional pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino - IBRAPE
Contato: marincmeira_@hotmail.com



